Nas laterais da cabeça, à frente dos ouvidos, estão localizadas duas estruturas chamadas articulação temporomandibular (ATM). São consideradas complexas por causa dos seus vários componentes e, como agem como qualquer outra articulação, também estão suscetíveis a lesões — chamadas de disfunção da ATM.
Esse problema exige atenção na medida em que essas articulações têm funções importantes, principalmente porque possibilitam a mastigação e a fala. Quando elas não trabalham adequadamente, o indivíduo pode sofrer limitações, além de apresentar sintomas dolorosos e incômodos.
Desde patologias até hábitos podem causar sobrecarga e alteração na ATM, desencadeando essas disfunções. A boa notícia é que elas podem ser tratadas com diversas técnicas, como a artroscopia de ATM. Quer ficar mais por dentro desse assunto? Então continue lendo e confira tudo o que você precisa saber para cuidar bem dessa estrutura tão importante!
O termo disfunção da ATM é utilizado para classificar todas as lesões ou condições que levam ao mau funcionamento da articulação temporomandibular. Por isso, não se trata de uma doença específica, mas sim de diferentes tipos de problemas que interferem nas funções dessa estrutura.
Ela também é conhecida pela sigla DTM e pode afetar os diferentes tecidos que compõem a ATM. Nesse sentido, recebe classificações diferentes, sendo:
É válido lembrar que a ATM é uma articulação complexa e que possibilita realizar todos os movimentos da mandíbula. Suas estruturas também garantem sua força , então, quando apresenta algum tipo de disfunção, ações básicas como abrir e fechar a boca, falar, mastigar e morder se tornam muito difíceis.
A disfunção da ATM desencadeia sintomas muito característicos e que podem ser identificados pelo próprio indivíduo. No entanto, o diagnóstico preciso somente pode ser emitido por um profissional. De toda forma, é importante procurar a ajuda dele caso você perceba manifestações como:
Esses sinais e sintomas podem se manifestar isoladamente ou associados para caracterizar uma DTM. Eles podem variar de uma pessoa para outra conforme o caso e a intensidade do problema. Lembrando que, no início, os sinais podem nem mesmo incomodar. Mas, sem o devido tratamento, a tendência é de que a disfunção se agrave cada vez mais.
Ainda não existe um exame específico para diagnosticar a disfunção da ATM, porém não é difícil para um profissional identificar esse problema, uma vez que ele desencadeia os sinais e sintomas citados. Assim sendo, por meio de uma entrevista com o paciente e de avaliação clínica, o cirurgião bucomaxilofacial consegue perceber o mau funcionamento da musculatura ou da articulação.
O exame físico consiste em verificar se o indivíduo sente dores na palpação dos músculos mastigatórios, se há emissão de ruídos na movimentação da mandíbula, se existem desvios na mandíbula ao movimentá-la, se há alterações na dentição ou na mordida, entre outros.
O profissional pode solicitar radiografias, ressonância magnética ou tomografia computadorizada para estudar o caso mais detalhadamente.
A boa notícia é que a disfunção da ATM pode ser tratada, e existem técnicas diferentes para isso, como as medicamentosas, o uso de placas oclusais ou miorrelaxantes, a aplicação de toxina botulínica, fisioterapia e cirurgias, como a artroscopia de ATM.
O tipo de tratamento adotado depende das características de cada caso e também daquilo que está provocando o problema. Pessoas com bruxismo, por exemplo, podem desenvolver uma disfunção da ATM por causa da sobrecarga exercida na articulação pelo ranger e pelo apertar de dentes.
No caso delas, além do uso da placa miorrelaxante, é importante entender o que está provocando o bruxismo. Muitas vezes, ele está relacionado ao estresse, então também é preciso efetuar mudanças em hábitos, comportamentos e rotinas para melhorar o estado psicológico.
Entretanto, para os casos em que as terapias conservadoras não surtem o efeito esperado ou não se mostram eficazes, o profissional poderá indicar a artroscopia de ATM. Ela é uma cirurgia menos invasiva do que a técnica aberta e altamente eficaz.
É indicada para pacientes que não apresentam quadros tão complexos a ponto de exigirem uma cirurgia aberta. De modo geral, esse tratamento é indicado para:
Uma característica interessante da artroscopia de ATM é o fato de que ela pode ser utilizada tanto como método diagnóstico como também de tratamento da disfunção. Por isso, é uma técnica versátil e eficaz, mas que precisa ser realizada por profissionais bem capacitados e experientes.
A artroscopia de ATM é considerada uma cirurgia minimamente invasiva porque não há necessidade de cortes como na técnica aberta. São feitos apenas dois ou três orifícios por onde são inseridos uma microcâmera e os instrumentos cirúrgicos.
Essa microcâmera transmite imagens para um monitor, possibilitando que o cirurgião visualize todas as estruturas da ATM. Assim, ele consegue identificar exatamente o que está acontecendo com ela, como a presença de aderências, degenerações, perfuração de disco e doenças.
Com instrumentos cirúrgicos muito pequenos, por meio desses orifícios é possível realizar algumas correções, como remoção de aderências, cauterizar derrames articulares, suturar o disco articular ou fazer a aplicação de laser na articulação.
Lembrando que o procedimento é feito em centro cirúrgico. O paciente recebe anestesia geral e recebe alta no mesmo dia. A recuperação é rápida em função da baixa invasividade, o que oferece menos riscos e desconfortos no pós operatório.
A artroscopia de ATM é eficaz e segura para o tratamento de disfunção da ATM, mas, ainda assim, é uma cirurgia. Portanto, deve ser realizada por cirurgiões que são especializados nessa técnica e têm muita experiência para oferecer o melhor atendimento e resultados totalmente satisfatórios, prezando pelo cuidado com a sua saúde.
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